Gandhi e as Sacolas Plásticas

Aqui em Pinheiros, onde moro tem um supermercado na esquina e duas feiras, uma de quinta e uma de sábado. No bairro, tem muitas velhinhas que ainda usam os carrinhos ao invés dos carrões e vão a pé a qualquer um desses lugares. Os jovens, andam de bicicleta ou na coleira com seus cachorros vira latas. Alguns usam carrinhos, mas a maioria anda usando mesmo as sacolas recicláveis coloridase fashions que vem sendo vendidas desde o fatídico dia da proibição das sacolas plásticas. 

No começo, cheguei a pegar dois ou três bate bocas no super, pelo direito de usar a caixa de OMO como transporte das compras. No dia de feira, pessoas bufavam em silêncio e enchiam suas sacolas com sacolinhas rosas ou verdes que os feirantes não cansam de esbanjar como um troféu. Um “quê” a mais com o qual os supermercados não podiam- até domingo passado, contar. 

Também tenho 2 gatos, aspirador de pó, biquíni molhado do clube, lixinho no banheiro e todo as coisas que poderiam justificar o uso abusivo das sacolas, mas fiquei triste ao saber que elas voltaram. Claro que, levando em conta toda a parte de defesa do consumidor por um lado e das artimanhas abusivas dos supermercados para nos ludibriar por outro enquanto feiras, farmácias, lojas e padarias jogam ao cinco ventos o que parece ser uma das invenções mais maquiavélicas da nossa era. 

Mas, depois do choque, veio o entendimento. As ruas estão coloridas com as novas sacolas, no super não me canso de ver pessoas se adaptando e calmamente as enchendo, as mesmas sacolas que vejo sendo levada `a farmácia e `a feira, sim, há algo de diferente no ar. 

Com a proibição, fomos obrigados a nos adaptar e foi positivo! Então porque fazer o caminho inverso, voltando com as sacolas nos super ao invés de fazer o caminho em direção `a civilização? Aos poucos, instruir o comércio a repensar suas sacolas também, as farmácias, e até os feirantes! Aqui no bairro, a coisa ta séria: a sacola retornável vai dentro do carrinho para a feira, assim, não precisa mais de tanta sacolinha. Entendeu? E tudo isso, depois de muito chorarê, veio a comoção geral. Eu cheguei ao ponto de ter sacolas guardadas na gaveta de meias, chorei um dia em casa por não ter mais sacolinhas onde colocar a areia suja das minhas gatas. 

Mas hoje sinto apenas alivio e uma ponta de esperança pois a experiência social foi bem forte e de alguma forma mudou a relação das pessoas com o consumo. De velhos a crianças, a tendência é só aumentar a atitude ambientalista, menos plástica. Como diria Gandhi, seja você a mudança que quer ver no mundo. Eu continuo com minha sacola retornável, e você?
Artigo Publicado Originalmente no portal BicoFino.com.br em Opinião

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