No Trem Para Madrid

Não consigo dormir
Meus olhos se enchem de água salgada
E as ostram, moles, aí nadam
Com sabor de mar e lágrimas

Sigo sonolenta no trem que
me leva a Madrid
No tchuque tchuque carinhoso
dos trilhos

Me lembro com carinho dos
Churros e de como a sua doçúra
Despida de açúcar, se encharca
No chocolate: Tchuque Tchuque

Cremoso
Másculo,

De nada me lembra as Navajas
Estas doces e afeminadas
No azeite ácido das terras
Espanholas
Que delícia, as Navajas.

Ponho na boca como uma flauta
E verto a carne tensa
E sugo seu interior dourado

Daí me pego pensando nos chorizos
Vermelhos como lábios mordidos
Lábios de inverno

É que quando fritos, soltam a gordura
De cor enamorada

Bochechas vermelhas
De beijos roubados
E molho o pão
E aperto com os dedos as migalhas

Lavo a boca com cerveja
Lavo a boca com vinho
Me contorço numa taça de Jerez

Não posso mais dormir
Sigo ainda pensando em Madrid.

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